Noções de experiência e interação em práticas associadas a jogos são partes fundamentais para a compreensão do modo como a produção do artista Froiid articula relações entre o espectador e o trabalho de arte em que pesem ainda ideias de risco, estratégia, participação e colaboração. No entanto, o que está no jogo não é ganhar ou perder, mas compreender os mecanismos que criam, por um lado, esforços em exercício de imaginação radical e, por outro, ensejamos competições de bases desiguais como metáfora para a reflexão crítica da sociedade ou do próprio circuito artístico.
Por isso, as formas de jogo podem afirmar prazeres e reveses da vida, contemplando ou questionando dominantes morais, ou podem operar um campo de reexistência, em que o jogador não se coloca na posição de estar preso às regras que outros operam, mas de criador de novas regras. Note-se que seus trabalhos estimulam diligências e negociação num arco de decisão coletiva que vai desde a seleção dos objetos que compõem os jogos até o estabelecimento dos marcos prescritivos que modulam a atividade de cada indivíduo nessa pequena comunidade que se forma no momento da partida.
Nesta edição da Bolsa Pampulha, Froiid associa o álbum de figurinha da copa do mundo com 22 imagens – assinadas pelos jogadores – de cenas do futebol de várzea que, por sua vez, remetem aos tempos representados pelo mesmo número de bandeiras. No Museu de Arte da Pampulha, em formato outdoor, o artista instalou fotografias de jogadores numa cena ambígua entre celebração e desapontamento. Para o artista, a prática do jogo alude a um momento de suspensão da realidade, abrangendo processos culturais por meio da criação de regras e da busca por objetivos. É, a um só tempo, matéria e ação, em que o exercício lúdico opera forças propulsoras de formas diversas de pensar e viver os espaços e as cidades.



