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¡Corre!

O jogo do bicho é uma loteria brasileira que se entrelaça profundamente com as dinâmicas sociais do Brasil moderno, exercendo influência sobre a política, o judiciário, os sonhos e diversos aspectos da vida do páis. Criado no final do século XIX com o objetivo de arrecadar fundos para a manutenção do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, sua implementação teve como solução a contribuição do mexicano Manuel Ismael Zevada. A proposta de Zevada adaptou a tradicional Loteria das Flores, do México, dando origem à Loteria dos Bichos, que rapidamente se popularizou e se consolidou como parte do imaginário cultural brasileiro.

Ao longo de mais de uma década, Froiid tem investigado as interações entre arte, jogo e sociedade, examinando as complexas relações entre público e instituições. Sua prática artística estabelece um vocabulário próprio, que explora as negociações e as dualidades existentes nas relações entre sujeito e objeto, assim como entre o jogo e a vida. A partir dessa perspectiva, sua produção abrange uma pluralidade de linguagens e suportes, incluindo jogos, instalações, objetos, vídeos, fotografias, obras sonoras e tecnologias digitais.
Para a Zona Maco, Froiid apresenta um projeto que toma como ponto de partida a “Lotería de las Flores”, um jogo tradicional mexicano que se liga profundamente ao jogo brasileiro do bicho, objeto de várias pesquisas do artista, mas que aqui se reconfigura por meio de um encontro potente entre jogo e a tradição construtivista latino-americana na abstração. Com cores vibrantes dos uniformes do lendário goleiro mexicano Jorge Campos, um ícone da estética popular do futebol, cujos trajes repletos de cores e formas geométricas se tornaram uma referência cultural e visual. remetendo à dinâmica dos jogos de azar e à fluidez das experiências coletivas, convocando a potência cromática e a instabilidade das regras do jogo.
O projeto consiste em 54 pinturas, cada uma correspondendo a uma carta do jogo, criadas a partir de quadros de madeira pintados com tinta esmalte sintético. Os nomes das cartas são grafados com tipografias vernaculares, evocando a tradição visual dos letreiros de carroceiros de caminhão, prática comum em diversos países da América Latina. Dispostas de forma modular, as pinturas ocupam o espaço expositivo como uma grande composição em movimento. Elas se articulam num jogo de reinvenção contínua, onde as cartas-pinturas não seguem ordens preestabelecidas, formando novas combinações de cores, signos e formas. Sem um início ou fim definidos.

 

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