O peixe pela boca

As imagens apresentam jogadores inexistentes no instante em que executam o gesto recorrente de beijar o escudo, produzidas por sistemas de inteligência artificial que operam sobre um repertório visual amplamente disseminado no futebol contemporâneo; ao deslocar esse gesto de qualquer experiência vivida para o campo da simulação, o trabalho evidencia sua condição de linguagem codificada, repetível e transferível entre corpos, clubes e contextos, onde a variação mínima entre uma imagem e outra — no enquadramento, na expressão ou na posição — revela a estrutura que sustenta sua circulação, aproximando-o de uma coreografia estabilizada; nesse processo, eventuais falhas, como desalinhamentos ou distorções sutis, interrompem a continuidade esperada e expõem o funcionamento do sistema, tornando visível a fabricação de um afeto que já se organiza como protocolo

 

 

 

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